Fábio Luís Lula da Silva, de 30 anos, um dos cinco filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, experimentava, até 2003, uma situação profissional parecida com a de muitos brasileiros: a do subemprego. Formado em biologia pela UNIP, Lulinha, como é chamado pelos amigos, fez alguns poucos trabalhos na área, todos com baixa ou nenhuma remuneração, como por exemplo, monitor no Zoológico de São Paulo ganhando pouco mais de 600 reais. Em dezembro de 2003, essa situação mudou.
No fim de 2003, Fábio Luís abriu em São Paulo a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital. Trata-se de uma companhia da área de publicidade e propaganda, que detém a licença para reproduzir o conteúdo do canal americano G4, especializado em games. O negócio foi feito em sociedade com os irmãos Kalil Bittar e Fernando Bittar, filhos de um velho amigo de Lula, Jacó Bittar. Para quem não se lembra, Bittar é um ex-prefeito de Campinas, no interior de São Paulo, que foi um, digamos, pioneiro no PT. A G4 nasceu pequena, com um capital social inicial de 100.000 reais. Fábio entrou com 50.000 reais e os Bittar, que já atuavam no mercado havia doze anos, com 25.000 reais cada um. Mas nenhum deles precisou tirar dinheiro do bolso para montar a sociedade. "Esse capital será integralizado ao longo do ano", disse Kalil Bittar a VEJA.
Dez meses depois, a G4 deu um salto e virou Gamecorp, com investimentos da... Telemar, que tem participação de capital público e é a maior empresa de telefonia do Brasil, vendendo parte de suas ações por 5,2 milhões de reais, sendo que o capital social declarado da empresa, lembrem-se, era de apenas cem mil reais. A Telemar ainda investiu mais dez (10) milhões de reais na Gamecorp pela "produção de programas de televisão". A atenção da imprensa foi atraída pelo enriquecimento súbito de Fábio Luís, que até 2003 trabalhava como monitor de zoológico. Isso aconteceu no dia 6 de janeiro, dia em que as ações foram adquiridas pela Telemar. No dia 31 do mesmo mês, ou seja, apenas 25 dias depois da aquisição das debêntures, a Telemar converteu os papéis em ações. Ou seja, tornou-se, dessa maneira, sócia da empresa do filho de Lula.
Em junho de 2006, a Gamecorp fechou um contrato com a Rede Bandeirantes de Televisão para alugar seis horas de programação diária no Canal 21 em UHF-SP. Esse horário passou a chamar-se "PlayTV" e era preenchido com alguns programas destinados ao público "gamer" e muito videoclips. Nesse mesmo ano a Telemar injetou outros 10 milhões de reais na Gamecorp a título de compra antecipada de comerciais de TV. Na mesma época, a Rede Bandeirantes obteve um acréscimo de receitas oriundas de publicidade governamental, as quais dividia, através de contrato sigiloso divulgado na imprensa, com a empresa do filho do presidente, referentes a frequência UHF Canal 21 em São Paulo.
Não interessava nem à Gamecorp nem à Telemar que a nova sociedade fosse de conhecimento público. E por que razão quereriam os sócios manter a participação da telefonia em sigilo??? Simples: a Telemar é uma companhia de mercado, mas tem dinheiro público na composição de seu capital – e não teria sido fácil explicar o investimento na empresa de um filho do presidente da República. Um dos principais acionistas da Telemar é o BNDES, com 25% do capital. Outros 19% pertencem a fundos de pensão, alguns deles de empresas públicas, como a Previ e a Petros. Há ainda participação da Brasilcap e da Brasilveículos, companhias ligadas ao Banco do Brasil. Outro fator complica ainda mais a negociação: a Telemar é uma empresa concessionária de serviços públicos. Ou seja, suas operações dependem de concessão do governo federal. Companhias nessa condição têm sua relação com o governo regida por severas restrições. Elas também não podem fazer doações para campanhas de partidos políticos. Isso serve para evitar que futuros servidores públicos se sintam em dívida com elas. Sendo Lula o principal servidor público do país, configura, no mínimo, uma impropriedade que uma empresa concessionária de serviços públicos injete uma bolada de dinheiro na empresa de seu filho.
Soninha Francine declarou que se tratava de um escândalo falso com vistas a prejudicar a imagem do Governo Lula através de seu filho. O presidente Lula negou que haja relação entre o sucesso financeiro de Fábio Luís e o fato de ele ser seu filho, comparando seu talento ao do jogador Ronaldo: "[...] deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldo??? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldo."
Agora pergunto, o cara é ou não é um fenômeno??? Levantou uma empresa com capital de cem mil reais para mais de 15 milhões de reais. Pena que esse dons fenomenais apareceram depois do pai estar no Planalto. Estranho não???

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